Ministerio Público Federal investiga Reformatório Krenak Indígenas

 Em 1969, durante o governo Costa e Silva, a ditadura militar mantinha no território Krenak, em Minas Gerais, uma estrutura conhecida como Reformatório Krenak. Indígenas considerados “rebeldes” eram submetidos a prisões, trabalhos forçados e outras violações. Agora, décadas depois, o Ministério Público Federal investiga se a então estatal Companhia Vale do Rio Doce, atual Vale, colaborou com estruturas de repressão do regime, inclusive por meio do compartilhamento de informações sobre trabalhadores.


A investigação também alcança um episódio ocorrido em 1972, já no governo do general Emílio Garrastazu Médici. Naquele ano, indígenas Krenak foram retirados à força de seu território, em Resplendor, e transferidos para a Fazenda Guarani, em Carmésia, a centenas de quilômetros de distância. O MPF já reconheceu em outras ações que essa transferência integrou um conjunto de graves violações cometidas contra o povo Krenak durante a ditadura militar.

O novo inquérito busca determinar qual foi exatamente a participação da Vale nesses acontecimentos e em outras estruturas de colaboração empresarial com o regime. Entre os pontos investigados estão o fornecimento de informações aos órgãos repressivos, o monitoramento de trabalhadores e possíveis participações em violações contra povos indígenas. Trata-se de uma investigação em andamento: a abertura do inquérito não significa que a responsabilidade da empresa já esteja comprovada.

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